Patient Blood Management - um novo padrão de atendimento

19/06/2020
Inovação e ciência

A transfusão de hemocomponentes é um dos procedimentos médicos mais realizados em todo o mundo. Embora possa salvar vidas em muitas situações críticas, também traz riscos inerentes, como infecções, complicações respiratórias e imunomodulação, que podem aumentar a morbilidade e a mortalidade do paciente. Abordagens que reduzam o número de transfusões desnecessárias são, portanto, de grande interesse já que melhoram a segurança do paciente.

Como podemos otimizar o controle do sangramento perioperatório?

O professor Thorsten Haas, chefe do programa de PBM – Patient Blood management - do Children's Hospital em Zurique, na Suíça, explica o conceito de PBM, uma abordagem multidisciplinar baseada em evidências que individualizam o atendimento ao paciente, recomendado por muitas sociedades médicas. “O objetivo do PBM está centrado principalmente no paciente”, diz o professor Haas. “Nosso objetivo é usar o point of care, gerenciando o sangramento alvo, a fim de minimizar o uso de hemocomponentes e melhorar os resultados dos pacientes”.

Evitar a transfusão de sangue pode ser muito simples. “Em alguns casos, a simples suplementação de ferro em um paciente perioperatório com anemia por deficiência de ferro pode eliminar a necessidade de transfusão”, comenta o professor Haas.

As transfusões desnecessárias também podem ser reduzidas pelo uso de concentrados de fatores de coagulação específicos em vez de componentes do sangue, como o plasma. A administração de hemocomponentes não está apenas associada a riscos potenciais, como lesão pulmonar aguda e sobrecarga circulatória, mas também sua infusão é mais lenta.

O fibrinogênio costuma ser a única deficiência que precisa ser tratada

O fibrinogênio, uma proteína necessária para a formação do coágulo, é o primeiro fator a se tornar deficiente durante o sangramento perioperatório e muitas vezes é a única deficiência que precisa ser tratada. “O concentrado de fibrinogênio permite a administração de uma dose precisa para atingir o nível desejado, está imediatamente disponível e tem um perfil de segurança realmente excelente”, confirma o professor Haas. “Em pacientes com sangramento e hipofibrinogenemia, a administração de concentrado de fibrinogênio é sempre a nossa primeira escolha.”

A importância de compartilhar conhecimento e experiência

Embora o PBM seja uma abordagem relativamente nova e em evolução, espera-se uma maior adoção em todo o mundo devido aos benefícios que oferece tanto para os pacientes quanto para o hospital, incluindo menos desperdício de hemoderivados, menor tempo de internação na UTI e no hospital e custos reduzidos de saúde.

“Estamos entusiasmados em compartilhar nossas experiências e nos sentimos felizes em apoiar outras regiões que estão começando a trabalhar em tais conceitos para uma gestão mais segura de pacientes com sangramento”, conclui o professor Haas

Fibrinogênio, o primeiro fator a se tornar deficiente

O fibrinogênio, uma proteína necessária para a formação do coágulo, é o primeiro fator a se tornar deficiente durante o sangramento perioperatório e muitas vezes é a única deficiência que precisa ser tratada.

Em pacientes com sangramento e hipofibrinogenemia, a administração de concentrado de fibrinogênio é sempre nossa primeira escolha ”, diz o professor Haas.

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